Iuri Barros de Freitas - Mídia e Poder

Blog direcionado para as aulas de pós-graduação em Comunicação Jornalística da Fundação Cásper Líbero. Os assuntos a serem tratados neste espaço sempre terão alguma relação com o tema Mídia e Poder.

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Terra Blog

Arquivo de: Julho 2008

14.07.08

E agora?

E agora?



Parece até piada, mas não é!
Um dos maiores corruptores e bandidos deste país está solto, e mais, dando risada da cara da sociedade brasileira. Daniel Dantas, dono do Opportunity, foi indiciado por alguns dos crimes que mais fazem este país se atolar na lama, para não falar outra coisa. Só que, ao invés de ficar atrás das grades, como qualquer bandido deveria ficar, ele foi liberado, duas vezes, e pior, pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, o homem que deveria zelar para que a justiça fosse feita.
Na quinta-feira, dia 8 de junho, o banqueiro, Celso Pitta, Naji Nahas e mais 14 pessoas foram presas por crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras. Mas, infelizmente, no dia 9 do mesmo mês, o “meritíssimo senhor doutor” presidente do STF, resolveu soltá-lo alegando que: “Ainda que tais fundamentos fossem suficientes, o tempo decorrido desde a deflagração da operação policial indica a desnecessidade da manutenção da custódia temporária para garantir a preservação dos elementos probatórios."
Já no dia 10, o juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, aceitou novo pedido da Polícia Federal e determinou a prisão preventiva do banqueiro. O magistrado usou como base documentos encontrados na casa dele e, também, o depoimento de Hugo Chicaroni. Segundo as autoridades, Chicaroni relatou à Polícia Federal os preparativos da tentativa de suborno de um delegado federal, Vitor Hugo Rodriguez Alves.
Mas, adivinhem o que aconteceu? O nobre togado da última instância não só soltou outra vez o “paciente” (porque não réu?) como usou de fundamento para sua decisão, entre outras coisas, estes fatos: “...a fundamentação utilizada pelo Juiz Federal da 6ª Vara Criminal de São Paulo, Dr. Fausto Martin de Sanctis, não é suficiente para justificar a restrição à liberdade do paciente; não há fatos novos de relevância suficiente a permitir a nova ordem de prisão expedida; o encarceramento do paciente revela nítida via oblíqua de desrespeitar a decisão deste Supremo Tribunal Federal anteriormente expedida.” Das duas, uma, ou presidente do STF, no mínimo, errou feio, para não dizer que ele está sendo leniente com bandidos, ou eu sou um ignorante que não consegue ler direito...
Pelo que eu entendi, a nova prisão foi decretada por causa de uma tentativa de suborno a um delegado e de documentos encontrados no apartamento do banqueiro que o comprometia. Se estes fatos não forem motivos suficientes para prisão, o que mais é? Já o último argumento usado é típico de pessoas autoritárias, pois um juiz tem que ter independência funcional para tomar decisões, de acordo com sua convicção (mesmo que vá de encontro com a posição do STF), caso contrário, as bases do Estado de Direito ficam abaladas.
Agora, como o nobre ministro demonstrou preocupação com “pacientes” indevidamente encarcerados, sugiro a ele que faça uma revisão em todos os processos que tramitam na justiça. Tenho certeza que ele encontrará outros “pacientes”, só que desta vez pobres, para soltar. É imensurável o número de pessoas que estão presas indevidamente, seja por serem inocentes, ou porque suas penas já expiraram. Mas, talvez, para ele, pobre é réu, diferente do rico que é “paciente”!


Iuri Barros de Freitas – jornalista

iuri.barrosdefreitas@yahoo.com.br

http://iuribarrosdefreitas.blog.terra.com.br

08.07.08

Algo que precisa ser mudado

Algo que precisa ser mudado

 

 

Estava eu assistindo ao jogo da final Eurocopa, Espanha X Rússia, quando me veio a idéia de escrever este texto. O jogador da seleção espanhola, Fernando Torres, sofreu um tranco dentro da área com certa, digamos assim, virilidade do jogador do selecionado russo e, mesmo assim, não caiu ou encenou algo que pudesse resultar em um pênalti. Nem reclamar, reclamou. Fico imaginando que, se fosse um brasileiro na mesma situação, certamente, teria tido outra atitude... Alguém pode dizer que isto é cultural, que esta malandragem faz parte do nosso futebol, algo que é inerente à nossa essência... Tudo com o intuito de defender a nossa conhecida “malandragem”, o jeitinho brasileiro. Os que defendem a tese usam, como exemplo, Nilton Santos, que na Copa do Mundo de 1962, em um dos jogos, deu um passo à frente depois de ter cometido um pênalti. Ao fazer isto, o genial zagueiro ficou fora da área, dando a falsa impressão ao juiz de que a infração havia sido cometida fora da zona onde é decretada a penalidade máxima. Salvou o Brasil, que poderia ter sofrido o gol e ser desclassificado. Eu vou mais além, digo que isto faz parte não somente da nossa cultura futebolística, mas também da nossa cultura como um todo. Agora, sem querer colocar em xeque a honestidade do campeão de 1958... Será que esta nossa malandragem, esta nossa capacidade de resolver problemas de maneiras, às vezes, nem tão “honestas”, não faz com que nossa sociedade, em particular, a brasileira, crie os nossos maiores problemas, tais como corrupção e desonestidade? Será que não é porque permitimos tal costume, que o país tem um nível tão alto de corrupção? Será que não é porque todos nós, uma vez ou outra, damos um “jeitinho”, que o Brasil tem dificuldades em evoluir no quesito desenvolvimento social? Será que esta cultura de querer ganhar sempre (tirar vantagem em tudo), a qualquer custo, não nos leva a tomarmos atitudes egoístas, impensadas e individualistas? Creio que sim. Está na hora de mudarmos isto. Temos democracia de certa maneira e muito mais liberdade do que em outras épocas. Podemos nos unir em prol de algo. Não existe mais um governo totalitarista onde, geralmente, toda a população vive em função do “salve-se quem puder”, o que ajuda a gerar o tal “jeitinho”. Temos espaços para podermos reivindicar algo, ou simplesmente para protestar sem sermos censurados ou presos. Esta prática ultrapassada e egoísta, tão usual entre nós, já não precisa ser mais usada. Precisamos dar um basta nesta cultura do “espertalhão”... Só a população pode e deve mudar esta realidade! De que maneira? Mudando o próprio comportamento! Se pararmos com esta nossa conduta de querer levar vantagem em tudo (o que no final só nos prejudica como um todo), mesmo que seja desonestamente, e nos unirmos mais, com certeza, este país muda. Mudando nosso comportamento, muda o comportamento dos nossos políticos, que são frutos da nossa sociedade (falida culturalmente e intelectualmente). Talvez o empurrão que o país precisa para crescer como grande potência mundial, referência cultural, científica e econômica não esteja na própria economia ou na política. Mesmo por que todos esses fatores dependem de um só: a mudança de comportamento do brasileiro.

Iuri Barros de Freitas – jornalista

iuri.barrosdefreitas@yahoo.com.br http://iuribarrosdefreitas.blog.terra.com.br