E agora?
Parece até piada, mas não é!
Um dos maiores corruptores e bandidos deste país está solto, e mais, dando risada da cara da sociedade brasileira. Daniel Dantas, dono do Opportunity, foi indiciado por alguns dos crimes que mais fazem este país se atolar na lama, para não falar outra coisa. Só que, ao invés de ficar atrás das grades, como qualquer bandido deveria ficar, ele foi liberado, duas vezes, e pior, pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, o homem que deveria zelar para que a justiça fosse feita.
Na quinta-feira, dia 8 de junho, o banqueiro, Celso Pitta, Naji Nahas e mais 14 pessoas foram presas por crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras. Mas, infelizmente, no dia 9 do mesmo mês, o “meritíssimo senhor doutor” presidente do STF, resolveu soltá-lo alegando que:
“Ainda que tais fundamentos fossem suficientes, o tempo decorrido desde a deflagração da operação policial indica a desnecessidade da manutenção da custódia temporária para garantir a preservação dos elementos probatórios."Já no dia 10, o juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, aceitou novo pedido da Polícia Federal e determinou a prisão preventiva do banqueiro. O magistrado usou como base documentos encontrados na casa dele e, também, o depoimento de Hugo Chicaroni. Segundo as autoridades, Chicaroni relatou à Polícia Federal os preparativos da tentativa de suborno de um delegado federal, Vitor Hugo Rodriguez Alves.
Mas, adivinhem o que aconteceu? O nobre togado da última instância não só soltou outra vez o “paciente” (porque não réu?) como usou de fundamento para sua decisão, entre outras coisas, estes fatos:
“...a fundamentação utilizada pelo Juiz Federal da 6ª Vara Criminal de São Paulo, Dr. Fausto Martin de Sanctis, não é suficiente para justificar a restrição à liberdade do paciente; não há fatos novos de relevância suficiente a permitir a nova ordem de prisão expedida; o encarceramento do paciente revela nítida via oblíqua de desrespeitar a decisão deste Supremo Tribunal Federal anteriormente expedida.” Das duas, uma, ou presidente do STF, no mínimo, errou feio, para não dizer que ele está sendo leniente com bandidos, ou eu sou um ignorante que não consegue ler direito...
Pelo que eu entendi, a nova prisão foi decretada por causa de uma tentativa de suborno a um delegado e de documentos encontrados no apartamento do banqueiro que o comprometia. Se estes fatos não forem motivos suficientes para prisão, o que mais é? Já o último argumento usado é típico de pessoas autoritárias, pois um juiz tem que ter independência funcional para tomar decisões, de acordo com sua convicção (mesmo que vá de encontro com a posição do STF), caso contrário, as bases do Estado de Direito ficam abaladas.
Agora, como o nobre ministro demonstrou preocupação com “pacientes” indevidamente encarcerados, sugiro a ele que faça uma revisão em todos os processos que tramitam na justiça. Tenho certeza que ele encontrará outros “pacientes”, só que desta vez pobres, para soltar. É imensurável o número de pessoas que estão presas indevidamente, seja por serem inocentes, ou porque suas penas já expiraram. Mas, talvez, para ele, pobre é réu, diferente do rico que é “paciente”!
Iuri Barros de Freitas – jornalista
iuri.barrosdefreitas@yahoo.com.br
http://iuribarrosdefreitas.blog.terra.com.br