Iuri Barros de Freitas - Mídia e Poder

Blog direcionado para as aulas de pós-graduação em Comunicação Jornalística da Fundação Cásper Líbero. Os assuntos a serem tratados neste espaço sempre terão alguma relação com o tema Mídia e Poder.

Iuri Barros de Freitas - Mídia e Poder

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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2008

04.08.08

Publicidade, vilã ou não? - continuação

Neste cenário, “tão perturbador” para a publicidade, uma maneira de manipular a o consumidor (não mais cidadão) tem ganhado força, o citado acima “brended content”. De acordo com Daniel, ele “ inverte a lógica do merchandising, associando o conteúdo à marca – e não o contrário. Pode-se dizer que o conteúdo de marca – também chamado de branded entertainment ou simplesmente advertainment – nasceu a partir de uma série de curtas-metragens da BMW, intitulada BMW Films, cuja lista de diretores inclui alguns dos mais importantes cineastas da atualidade, como Ang Lee, Wong-Kar-Wai e Alejandro González Iñarritú. Um total de oito filmes, divididos em duas temporadas, foram divulgados exclusivamente na Internet, cada um deles exaltando as qualidades de um modelo diferente de automóvel da empresa. Chegando a ter um de seus filmes exibidos no Festival de Cannes em 2001, a campanha obteve sucesso sem precedentes na publicidade on-line até então, sendo que, posteriormente, a série de curtas-metragens foi distribuída em DVD para públicos selecionados. Tendo atingido os cem milhões de visualizações, a campanha de branded entertainment foi considerada um marco na história da publicidade na Internet. Na televisão, os exemplos de advertainment vêm crescendo a cada ano. A Nike produziu recentemente a série Battlegrounds, veiculada na MTV, que mostrava a vida de jovens jogadores de basquete de rua que concorriam a um prêmio de US$ 50,000, além de receberem produtos da empresa. A estratégia pretendia mostrar o envolvimento da marca com a comunidade urbana, e deu retorno favorável através da venda de DVDs da série. Patrocinado pela Nike, o filme-documentário Ginga – produzido por Fernando Meirelles – é outro exemplo recente de conteúdo de marca. Mostrando a história do futebol brasileiro através dos olhos de sete jogadores de várias partes do país, o documentário foi exibido ao redor do mundo e serviu para reforçar o forte posicionamento da Nike em relação aos esportes e sua paixão pelo futebol brasileiro. A Axe, marca de desodorante masculino, em parceria com o Canal Fox, patrocinou a série de animação adulta City Hunters – que está sendo exibida no Brasil – dando continuidade ao seu histórico de campanhas publicitárias e ações de marketing ousadas. São nove episódios de onze minutos cada, produzidos pela empresa argentina Catmandu Branded Entertainment, onde o protagonista – chamado Axel – tenta se tornar um conquistador de mulheres, com a ajuda de seu mentor, o Dr. Lynch. Mesclando erotismo e humor, a série traduz perfeitamente o espírito da marca Axe, ao mesmo tempo em que proporciona um conteúdo atraente para o seu público-alvo. No Brasil, o branded entertainment ainda está dando os primeiros passos. 'Temos poucos trabalhos realizados, e ainda há muito receio por parte dos anunciantes, por não saberem exatamente que tipo de retorno essa iniciativa pode trazer para as marcas e para as vendas', afirma Suzana Apelbaum, diretora de criação da agência África. Além destes exemplos citados por Perez, posso citar uma reportagem da Revista National Geografic, onde aparece uma reportagem sobre um roteiro de trilhas, só que, no contexto da reportagem, a Marca Toyota é oferecida ao leitor, de forma indireta, como a mais apta a percorrer tais percursos. E este caro leitor é o meu maior medo, as marcas se apropriarem, através da publicidade, dos meios de comunicação de massa. Já são tantas as formas de se manipular a sociedade e, esta, é mais uma delas. Reparem que em nenhum momento, e por nenhum dos autores citados, foi demonstrado algum tipo de preocupação, por parte dos publicitários ou empresas de publicidade, com a sociedade, e sim, somente com o aumento ou queda dos lucros das empresas. Colocar propaganda dentro de textos jornalísticos representa a morte da informação com veracidade. Desta maneira, caminharemos mais cedo do que pensamos (se é que pensamos!) para o que costumo chamar de ignorância plena, motivada pela ânsia insana pelo capital.

Iuri Barros de Freitas – jornalista

iuri.barrosdefreitas@yahoo.com.br http://Iuribarrosdefreitas.blog.terra.com.br

Publicidade, vilã ou não?

Publicidade, vilã ou não?

Hoje em dia, um dos assuntos mais discutidos entre os especialistas em comunicação é a publicidade. Sem ela, jornais, revistas, televisão, rádio e internet não viveriam. As mídias são cada vez mais reféns. É através dela que se captam recursos para pagar o salário de todos os envolvidos no processo da comunicação. Até ai tudo mais ou menos, pois o ideal seria que veículos de informação não precisassem da publicidade para pagar suas contas. Mas, infelizmente, isto parece mais uma utopia do que uma realidade alcançável. Mesmo assim, sempre existiu uma separação entre a “Igreja e o “Estado” (termo usado para designar a separação entre informação e publicidade), que pretendia deixar o mais distante possível esta relação, que às vezes, ou na maioria das vezes, só interessam alguns poucos. Com o advento da internet, a maioria dos grandes veículos de informação, principalmente revistas e jornais impressos, se viram perdidos. Já era grande a queda nas assinaturas deles, mas depois da nova tecnologia, ficou ainda mais vertiginosa (a informação na net geralmente é de graça). Eles se viram obrigados a se adaptarem a nova realidade, mas, mesmo assim, hoje em dia, segundo o professor da faculdade Cásper Líbero, Caio Túlio Costa, eles não usam esta nova mídia de maneira correta. Para ele, “a nova mídia é apenas um receptáculo dos diversos conteúdos da velha mídia.” Conglomerados midiáticos como o Time Warner (ex dono da AOL) perderam lugar no ciberespaço para empresas como o Google e o Yahoo que, de acordo com Caio Túlio, entenderam melhor as necessidades desta nova mídia. Segundo ele, “De fato, com o passar de poucos (e velozes) anos, dois fenômenos, Yahoo e Google, sobressaíram num modelo diferente daquele ‘patenteado’ pela AOL, fundado na composição de receitas majoritárias de assinaturas de acesso com receitas minoritárias de publicidade. Cerca de 80% do faturamento da AOL provinha das assinaturas de acesso antes de ela centrar seu novo modelo na publicidade, reviravolta anunciada em agosto de 2006... A Time Warner, expurgado o acrônimo AOL da marca, olhou para o lado e ficou espantada com os faturamentos quase unicamente advindos da publicidade dos concorrentes imediatos da AOL. O Yahoo faturou US$ 5,2 bilhõs em 2005 e o Google o ultrapassou, conquistando US$ 6,2 bilhões no mesmo ano, um crescimento de 92% em relação a 2004.” . Vendo desta forma, parece-me que a salvação para as empresas de informação (Só para elas é claro. Os leitores ou espectadores que se danem) é a publicidade, ou seja, ela se tornou a alma do negócio. Está sendo deixado para trás, algo que sempre foi a essência da comunicação, a informação verdadeira, analítica e sem nenhum tipo de manipulação ou interferência externa (principalmente da publicidade). Ao abrirmos sites, seja ele de informação ou entretenimento, o que vemos é uma enxurrada de publicidade pipocando no monitor, uma chatice para quem não é seduzido a todo o momento pelo consumismo desenfreado estimulado pelos publicitários. Mas, ainda assim, temos como nos livrar dela, fechando as “janelinhas” onde se encontram. O grande problema é quando a publicidade aparece em forma de texto jornalístico, ou seja, disfarçada de matéria... Algumas semanas atrás, fui convidado para fazer um trabalho e, no local, me familiarizei com uma das coqueluches da publicidade de hoje, o chamado “branded content”. Pesquisando no Google acadêmico (excelente ferramenta), achei uma monografia sobre o assunto. O autor se chama Daniel Neves Perez e faculdade é a PUC do Rio Grande do Sul. Ele começa o capitulo que trata do assunto com a seguinte frase: “O merchandising é o casamento incestuoso entre a ficção e a publicidade. (GIANINI, 1991, apud CALAZANS, 2006, p. 195)”. Para ele, “O surgimento de tecnologias de DVR – que permitem aos telespectadores pular os comerciais e assistir apenas aos seus programas favoritos – estremeceu o mercado publicitário, colocando em cheque o futuro dos comerciais de TV. De acordo com Laermer e Simmons (2007, p. 148), 50% dos lares americanos possuirão um aparelho de DVR até o final de 2008. No Brasil, a introdução do padrão digital de televisão – prevista para o final de 2007 – também é um fator que vem provocando discussões acerca de novos modelos de publicidade. Uma solução para este impasse é utilizar a técnica de merchandising, que integra inserções comerciais aos conteúdos televisivo e cinematográfico. Porém, em seu formato tradicional, esta técnica vem perdendo a aceitabilidade do público, que faz distinção entre o bom merchandising – aquele onde a marca é integrada naturalmente ao enredo do programa ou filme – e o ruim – onde o produto é mencionado de modo artificial e deslocado do conteúdo. Segundo Calazans (2006, p. 207), “uma vantagem covarde do merchandising é que ele atinge o telespectador em seu momento de descontração, quando não espera anúncios, sem seus mecanismos de defesa ativados”, além de ser utilizado como uma estratégia pelas agências de publicidade e emissoras de TV de modo a burlar a lei, que limita em 15 minutos o tempo de comerciais por hora de programação, o que leva alguns teóricos a classificar a atividade como antiética e ilegal.”

01.08.08

Trabalho final

categorias: Avaliação final

Consumismo

Através de sua "teoria" da Cultura MC World, Benjamin R. Barder apresenta a cultura americana como um cavalo de Tróia que invade as culturas locais, baseada no poder que a comunicação tem cujo objetivo é espalhar e perpetuar a Cultura de Mercado, tendo como conseqüência, a formação de consumidores e, não mais, cidadãos. Assim é a cultura do consumo, ou seja, neste mundo consumista, só é cidadão aquele que consome, independente da classe social. Um exemplo é o esvaziamento dos espaços públicos (geralmente usados para discussões relacionadas ao bem comum) é o aumento do número de Shopping Centers. Barder nos faz a seguinte pergunta: Restarão cidadãos?

Poder e Publicidade

A publicidade é a responsável pela cultura do consumo. Sem ela, a mídia não conseguiria espalhar a ideologia de seus comandantes que, atualmente, é o consumismo. Refletimos um pouco a respeito deste poder, e de como ele pode ser usado de outra forma. A partir da análise do livro "A publicidade é um cadáver que nos sorri" do italiano Oliviero Toscani, mundialmente conhecido pelas inusitadas campanhas da Benetton, podemos ver que ela pode ser benéfica, na medida em que é usada para alertar a população sobre algo de ruim que esteja acontecendo.

Avaliação II

O seminário sobre a obra Admirável Mundo Novo foi nossa segunda avaliação. Nele podemos traçar um paralelo entre o mundo idealizado por Huxley e o mundo atual. Podemos constatar que eles tem mais em comum do que imaginávamos.

Modernidade Líquida

Segundo Zygmunt Bauman autor da teoria de Modernidade Líquida, "A Sociedade Moderna, como os líquidos, se caracteriza por uma incapacidade de se manter a forma". Atualmente, vivemos em uma sociedade imersa na dualidade entre o sólido e o líquido. Além do consumo e da liquidez, uma das mais fortes características de nossa época é a aceleração do tempo. Este tempo veloz está fundamentado na teoria de Bauman, da liquidez. Essa rapidez acarreta cada vez mais na existência de indivíduos voltados para si mesmo. A morte parece não existir, apesar de ser temida. Hoje as notícias são dadas em tempo real, o que só é permitido por causa das ovas tecnologias, como a Internet.

Reflexão final

 Ao final do curso, podemos chegar a conclusão de que a Mídia não é causadora de todos os problemas do mundo. Ele é apenas um meio. Cabe a quem a controla fazer um uso digno. A velocidade e a quase “onipresença” proporcionada pela internet, faz desta nova mídia e da velha, ferramentas perfeitas para o marketing do consumo. Neste panorama o consumidor deixa de consumir e passa a ser consumido pelo marketing que vende uma felicidade inexistente, pela maneira como impõe crenças e estilos de vida, entre outras coisas. Cabe as pessoas filtrarem melhor as informações ao qual são submetidas, vendo sempre os diferentes ponto de vista e, assim, formar seu ponto de vista epistêmico. Meu objetivo neste blog foi um pouco diferente do restante da sala. Apesar de saber que hoje os blogs são usados para assuntos curtos, atualizados o mais rápido possível, eu quis tentar resgatar o objetivo inicial, que era o de ser um espaço para discussão. Portanto, me preocupei em colocar textos mais longos, com mais informações não me preocupando tanto com a rapidez na atualização. Só se pode ter discussão se o assunto for aprofundado. E outra, podemos ter blogs com diferentes objetivos. Como vimos com o professor Caio Túlio Costa, a nova mídia ainda é um campo a ser explorado. Agradeço ao professor Dimas e aos meus colegas pelo semestre que tivemos.

Trabalho final

categorias: Avaliação final

Another brick in the wall

“Nós não precisamos de nenhuma educação, Nós não precisamos de nenhum controle de pensamento, Nenhum sarcasmo sombrio na sala de aula, Professores, deixem as crianças em paz. * Ei! Professor! Deixe as crianças em paz! * No total, é apenas outro tijolo no muro, No total, você é apenas outro tijolo no muro...”

Trecho da música apresentada no primeiro dia de aula. Uma visão crítica a respeito da educação e sua forma “mecanizada” de produzir indivíduos. Um dos vários pontos de vista, que como veremos no próximo tópico, junto com outros, formam um ponto de vista epistêmico.

Ponto de vista epistêmico

Para que se tenha uma percepção correta dos fatos, seja qual for o assunto, é necessário considerarmos a existência de vários e inúmeros pontos de vistas. Quando se trata de mídia então, tal abordagem é vital. E, por falar em Mídia, refletimos também sobre seu significado que, para muitos, é toda poderosa, que faz e tal... Nesta reflexão chegamos à conclusão que a mídia é apenas um MEIO, que pode ser usado de diversas formas. O conceito de multiperspectividade foi amplamente discutido. Assim, o poder que a mídia pode ou não exercer precisa ser visto através de um olhar epistêmico, cujo intuito não é escolher entre o que é certo ou errado, mas sim, ter diversas perspectivas a respeito do mesmo assunto.

Atividade I

 Nas primeiras aulas definimos os grupos que realizariam os seminários no semestre. A escolha ficou a cargo dos alunos, e os grupos se formaram a partir da empatia de cada um com o título sugerido. Escolhi o livro ADMIRÁVEL MUNDO NOVO. A obra-prima de Huxley é rica em conteúdo e reflexões e, várias de suas “alucinações” vieram a se concretizar no mundo de hoje.

Mini-seminário

Após muitas conversas optamos por retratar a forma como certos assuntos são abordados de formas diferentes por determinados veículos. Dependendo do posicionamento político do veiculo, o assunto é trado de forma parcial ou imparcial. Escolhemos as linhas editoriais de Carta Capital e Veja. Como objeto de estudo, abordamos as publicações sobre a saída de Fidel Castro do poder. O perfil das duas revistas escolhidas, Carta Capital e Veja, foi apresentado junto com a linguagem por elas usada, mais as entrevistas realizadas e os dados estatísticos selecionados. Como as diferenças de abordagem foram imensas, ficou concluído que a Mídia é realmente um Meio e que pode ser usado de diversas formas.Na maioria dos casos, ela tem agido muito mais como um “Poder” manipulador do que apresentando uma visão epistêmica. As duas revistas tiveram uma abordagem tendenciosa de acordo com seus “princípios” e ideais políticos.

Platão e Aristóteles

Platão e Aristóteles foram discutidos através de um afresco de Rafael, da Escola de Atenas. As duas filosofias se caracterizam por serem opostas. A primeira representa a abstração e a teoria. Já a segunda é caracterizada pela preocupação com o mundo concreto e material, natural e empírica. O interessante é que apesar de distintas as duas se completam. Concluímos que não adianta só o conhecimento teórico. É necessário também se levar em conta o ponto de vista empírico. Devemos sempre buscar um ponto de vista epistêmico, que considere as diversas formas e percepções.

Mito da Caverna

Através do Mito da Caverna, de Platão, foi possível refletimos os temas atuais de Mídia e Poder. A opinião sobre o real chama-se Doxa (as sombras da caverna) e a verdade chame-se ALÉTHEA (a luz, fora da caverna). Ao fazermos a analogia da parábola de Platão, podemos constatar que a mídia tem o poder de criar imagens e projetá-las, produzindo uma realidade que não existe. É necessário observarmos, sobretudo no que diz respeito aos temas mais polêmicos e controvertidos, qual o posicionamento adotado pela mídia. Criam -se os fatos ou os distorcem de acordo com a vontade do veículo. O papel dos veículos de comunicação é o de ser o mais transparente possível, sendo isento de interesses próprios ou de terceiros. Já o dos profissionais de comunicação, é de primarem pela ética e verdade, sobrando aos leitores e ouvintes desenvolver a habilidade crítica e saírem da caverna.