Iuri Barros de Freitas - Mídia e Poder

Blog direcionado para as aulas de pós-graduação em Comunicação Jornalística da Fundação Cásper Líbero. Os assuntos a serem tratados neste espaço sempre terão alguma relação com o tema Mídia e Poder.

Iuri Barros de Freitas - Mídia e Poder

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Terra Blog

Categoria: Textos

22.04.08

Caso Isabella Nardoni

categorias: Textos

 

O meu intuito ao escrever sobre o caso Isabella Nardoni não é procurar culpados, e sim, destacar a horrorosa exploração midiática que ocorreu e ainda ocorre. Os "Senhores de Engenho", donos dos grandes complexos midiáticos, deveriam se preocupar mais com o esclarecimento dos fatos do que com o retorno financeiro que a insistência em divulgar o caso traz. Além de promoverem esta novela de forma cansativa e penosa, não deixam a menina e nem seus familiares descansarem em paz. Eles a matam de manhã, de tarde e de noite. Pré-julgam o casal acusado (é bom enfatizar que não existem provas conclusivas de quem foi a autoria do crime) pela morte da criança e, estimulam a população brasileira, chocada com tudo isto, a cometerem atos de violência contra os parentes e os próprios suspeitos. Deixam de lado o seu verdadeiro papel que é o de informar com veracidade, para serem meros palpiteiros e especuladores, sem responsabilidade alguma. É sempre bom relembramos outros casos explorados pela mídia, como o da Escola Base, para que o que aconteceu com os acusados (na verdade eram inocentes, contrariando tudo o que a polícia e os meios de comunicação de massa haviam dito durante as investigações. Sofreram perdas emocionais e financeiras absurdas na época e, mesmo hoje, ainda não se recuperaram completamente do ocorrido) não aconteça nunca mais.

Iuri Barros de Freitas

10.03.08

Mídia e Poder, uma relação estreita

categorias: Textos

Mídia e Poder, uma relação estreita

No século passado, os Estados soberanos, sejam eles de esquerda ou direita, no mundo todo, descobriram nos meios de comunicação de massa um grande aliado propagador de idéias. Como sabemos, estas mídias são de fundamental importância no cotidiano da população mundial e, às vezes, ou na maioria das vezes, acabam ditando aquilo que é certo ou errado, mas, muitas vezes, o que aparece como certo nem sempre é o certo. Então podemos dizer que a mídia é um bicho papão, alienador, sem coração, capitalista e manipulador? Não, não podemos. Como o próprio nome diz, a mídia é um meio, um instrumento que pode ser usado tanto para o bem como para o mal. Não podemos nos esquecer que quem controla este meio é quem merece as alcovas acima dispensadas. O filme Mera Coincidência é um exemplo do que acabei de afirmar. Ele narra a história de um fictício presidente americano que se considerava reeleito. Mas, onze dias antes das votações, um escândalo sexual abala sua popularidade e ele vê seu envolvimento com uma mulher (qualquer semelhança, aliás, é mera coincidência) tornar-se assunto midiático. Para salvar a pele do candidato a “Casanova”, a Casa Branca convoca Conrad Bean (Robert De Niro), que resolve todos os problemas do presidente. Mas para que isso ocorra, ele recorre à ajuda de um grande produtor de Hollywood, Stanley Motss (Dustin Hoffman). A manipulação consiste em forjar uma guerra entre os Estados Unidos e um país sem importância alguma no cenário mundial: a Albânia. Daí em diante, o que se nota é o esforço do produtor de cinema e sua equipe para montarem um cenário fictício, onde cenas de uma aldeia albanesa bombardeada são feitas. O filme é um retrato fiel do que está por trás da força política de uma nação. O enredo do filme mostra o poder que tem aquele que comanda a mídia. Distrair a atenção do público. Esse é o alvo. A mídia é usada para forjar situações, onde a atenção do povo é desviada para outro assunto, deixando o assunto anterior em segundo plano ou totalmente esquecido. Aqui, neste caso, a história é fictícia, mas podemos citar como exemplo a Guerra do Iraque. O presidente Bush atacou o país sustentando-se na afirmação de que aquele país miserável tinha armas de destruição em massa e que seu povo vivia oprimido por um ditador. Mas o verdadeiro motivo para tal incursão armada era o petróleo. Não podemos nos esquecer que tanto o presidente dos E.U.A. como seu vice têm interesses no ouro negro que brota abundantemente naquele pequeno país do Oriente Médio. Na época, alguns poucos levantaram a hipótese de interesse financeiro. A mídia americana e mundial, em sua maioria, apoiava e dava sustentação às mentiras proferidas por Washington e seus pares (Inglaterra entre outros). Este é um problema do mundo em que vivemos. A manipulação de fatos em favor de alguns poucos existe desde que o ser humano se tornou o animal superior, racional, que os cientistas insistem em afirmar (eu tenho lá minhas dúvidas). A mídia é apenas mais um instrumento, muito influente é claro, usado por poderosos ou não, para propagar informações. Infelizmente, nem todos (principalmente no mundo capitalista, onde o capital, o lucro são mais importantes que o ser humano) usam esta mídia da forma que ela deveria ser usada. Talvez um dia, quando o dinheiro não for a coisa mais importante no mundo, os meios de comunicação de massa deixem de ser uma forma de manipular e passem a ter a função que lhes é realmente certa: a de informar e esclarecer.

Iuri Barros de Freitas – jornalista

iuri.barrosdefreitas@yahoo.com.br

 

Uma nova maneira de ensinar

categorias: Textos

Uma nova maneira de ensinar

Sempre estou repetindo neste espaço a importância que tem investir em educação. Esta é a principal saída para qualquer país no mundo se desenvolver. O problema é que investir em educação não é só despender uma boa porção de dinheiro para a causa, mas, sim, saber com aplicar este dinheiro. Quais projetos serão realizados para a melhoria do ensino? Quais metas serão seguidas? O que será feito para que, em mundo completamente cibernético, uma criança se interesse em estudar as matérias clássicas? Quais tecnologias serão usadas para complementar este formato de estudo ultrapassado que é ensinado nas maiorias das instituições? O que fazer para tornar a aula o mais atraente possível? Que estratégia de “marketing da matéria” usar, ou seja, qual “propaganda” é necessária para “vender” a matéria ao aluno? O que fazer para essa matéria permanecer atrativa? Enfim, de quais recursos os educadores precisarão dispor para que um projeto de educação seja um sucesso. Creio que traçar metas é o mínimo a ser feito, fora o desenvolvimento de outros estudos feitos por profissionais da área, coisa que eu não sou. Só estou dando uma sugestão. Em minha curta existência, tive a oportunidade de estudar em duas escolas maravilhosas. Em 2001, tranquei a faculdade de direito e fui fazer cursinho no Anglo (curso preparatório para o vestibular) da Tamandaré, uma rua do bairro da Aclimação, no centro de São Paulo. Procurei este cursinho por causa do alto índice de aprovação de seus alunos. Quando as aulas começaram, tive uma das surpresas mais agradáveis da vida... Descobri que estudar matemática, química, física, geometria, biologia era gostoso. E que, para que isto ocorresse, eram necessárias duas coisas: didática dos professores e muita habilidade para obter total atenção da classe por todo o período de aula. Já a segunda escola, eu conheci este ano. Comecei minha pós-graduação em Comunicação Jornalística na Cásper Líbero. Estou novamente espantado com a maneira de algumas instituições ensinarem. A Cásper é fantástica. Inova na maneira de doutrinar. Além de contar com profissionais extremamente gabaritados (a didática destes profissionais, cada qual à sua maneira, é primorosa), a faculdade dispõe de uma estrutura excelente. Aproveita todas as mídias e soma a elas o tradicional discurso proferido pelo professor, no qual ele disserta sobre o assunto de aula. Usa também outros meios tradicionais como os livros, essenciais para o aprendizado. Mas, creio eu, o mais importante é a mescla entre a tecnologia e maneira tradicional de ensinar. Quem me dera, lá no meu tempo de criança e adolescência, os meus professores fossem dotados desta didática e habilidade (Talvez eu tivesse tomado gosto pelos estudos mais cedo. Quando o professor é ruim, não existe matéria que agrade). Alguns eram, mas era a minoria, e quase todos eles, ligados à área de humanas (história, geografia...), com exceção do “Batatinha”, o Wilson, professor de biologia. Estes “pseudos” mestres do meu passado não conseguem fazer as matérias, como as que tratam de temas complicados (ou mesmo simples) como “O imaginário da cibercultura: entre neo-ludismo, tecno-utopia, tecnorealismo, e tecnosurrealismo”, ficarem agradáveis e compreensíveis. São limitados ou despreparados... E às vezes, os dois! Talvez por culpa deles ou dos empregadores, que às vezes não cobram e, por outras vezes, não proporcionam a estrutura necessária para que o trabalho bem feito seja colocado em prática. A grande maioria da população teve, tem e provavelmente terá contato com este tipo de educador e de estrutura educacional. O que é uma pena, pois o caminho para uma nova era educacional está na mudança desta estrutura arcaica. Precisamos de uma educação moldada para este novo século, moderna e dinâmica. Só assim poderemos caminhar para a construção de um país mais justo e igualitário, onde as pessoas possam galgar a realização de seus sonhos.

Iuri Barros de Freitas - Jornalista

iuri.barrosdefreitas@yahoo.com.br

09.03.08

Semana histórica e suas conseqüências

categorias: Textos

Semana histórica e suas conseqüências

 

Durante a semana cansei de escutar o termo “ditadura da mídia” quando alguém se referia as explicações destes pilantras de terno e gravata que estão sendo formalmente acusados pelo Supremo Tribunal Federal de estarem envolvidos no escândalo do mensalão, como se a mídia brasileira fosse uma espécie de Stalin ou qualquer outra aberração do tipo. É claro que não o é. Se o que ela diz tivesse o efeito de uma sentença, o ex-presidente Fernando Collor de Melo não teria sido inocentado em seus processos e vários outros pilantras ainda não estariam soltos. E no mais, eu não creio que pessoas tão poderosas, como os Ministros do Supremo, se curvariam a esta dita “ditadura”. Agora, se esta onda de denúncia contra o governo do PT tem cunho político ou não, na minha opinião, não importa. O que importa é que, a pilantragem, independente da sigla que ela tenha, tem que ser combatida sempre. E é isso que está acontecendo. O que me deixa embasbacado é o fato de o PT, um partido que historicamente sempre apoiou a ética, a moralização, ser contra as denuncias feitas pela Imprensa que, como provou o Supremo esta semana, tinham fundamentos para um indiciamento. Ele, o governo, ao tomar conhecimento de tais acusações, deveria ter enxotado estes pulhas do planalto imediatamente, dando assim, o devido exemplo. Mas não, preferiu passar a mão na cabeça e defender os malandros. De que maneira? Atacando a mídia! Existem veículos sérios, comprometidos com a verdade e a coerência. Não podemos nos esquecer disto nunca, nem todos da mídia estão dispostos a prejudicar as pessoas. Enfim, só espero que este “momento histórico”, que começou com o indiciamento dos 40 acusados do escândalo do mensalão, não seja apenas um lampejo de seriedade, e sim, um início de uma Nova Era, onde o país se tornará mais ético e próspero. Espero também, que a sociedade aproveite o momento para refletir a respeito dela mesmo e de seus comportamentos. Rogo para que esta centelha se torne um fogaréu. E isto só acontecerá se os culpados forem condenados. Imaginem os políticos tendo medo de roubar, pois, após a condenação dos mensaleiros, eles poderão ir pra a cadeia também!!! Seria maravilhoso. O primeiro passo para sanar os grandes problemas do Brasil.

Iuri Barros de Freitas – jornalista

iuri.barrosdefreitas@yahoo.com.br

Sociedade de Massa

categorias: Textos

Sociedade de Massa, Capitalismo Monopolista e Globalização x Folclore

 

Antigamente cada povo tinha sua própria cultura baseada nos costumes da região onde vivia. Com o advento da globalização, surgiram os meios de comunicação em massa. Através desses meios de comunicação, financiados pelo capitalismo monopolista, diversos povos, de diversos lugares, passaram a interagir culturalmente. Essa interação causou mudanças profundas nos costumes, nas ideologias e nos valores. Os países detentores do poder econômico passaram a influenciar culturalmente os países mais pobres, forçando-os a abandonar seus costumes e a adotar os costumes deles. Podemos usar como exemplo a Festa do Peão de Boiadeiro que acontece em agosto na cidade de Barretos, interior de São Paulo. Esta festa faz parte do folclore brasileiro, pois retrata a lida do homem do campo no interior do país. As montarias, as provas de laço, a prova do tambor, entre outras, são retratos do dia-a-dia do peão. No começo a festa era voltada para pessoas que viviam no campo ou que tinham alguma ligação com o campo. Era uma forma de comunhão, interação, de lazer e de negócios entre essas pessoas. Hoje em dia, a festa tomou uma proporção gigantesca, sendo considerada uma das maiores festas do país, levando à pequena cidade de Barretos, durante os dez dias, mais de um milhão de pessoas. Só que, junto com essa popularidade vieram às mudanças na estrutura e na essência da festa. Ela deixou de ser uma festa regional, feita para o homem simples do campo, para ser uma festa “internacional”, modificada, “completada” com costumes de outros povos, agradando à massa expectadora e aos investidores. Foram adaptadas atrações que não fazem parte do folclore da região, como show de bandas de axé, música country americana, e deixando de lado apresentações de grupos de catira (dança típica do interior), duplas de ”moda de viola”, entre outras belezas do folclore regional. Um dos exemplos dessa globalização, da ingerência da indústria cultural e da influência dos meios de comunicação de massa é o monumento em homenagem ao peão de boiadeiro. Em vez de retratarem o peão de boiadeiro brasileiro, foi retratado o peão americano, agradando o patrocinador da festa e também o brasileiro que cresceu assistindo os filmes de John Wayne, peão americano. De qualquer forma, adeus a cultura popular do interior paulista e ao peão brasileiro. Ou cuidamos para que a globalização, os meios de comunicação de massa e o capitalismo monopolista não interfiram em nossas culturas, ou nos tornaremos pessoas sem identidade.

Iuri Barros de Freitas –jornalista

iuri.barrosdefreitas@yahoo.com.br